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Biobibliografia de Vergílio Ferreira

  • 30 de mai. de 2022
  • 3 min de leitura


Vergílio António Ferreira foi escritor, romancista, ensaísta e professor do ensino liceal.

Nasceu na tarde de 28 de janeiro de 1916, numa aldeia denominada Melo, em Gouveia. Era filho de António Augusto Ferreira e de Josefa Ferreira que, em 1927, emigraram para o Canadá em busca de condições de vida mais favoráveis, deixando Vergílio com os seus irmãos mais novos, César e Judite. Essa separação é descrita em Nítido Nulo.

A neve é o pano de fundo da sua infância e adolescência passadas na zona da Serra da Estrela. Aos doze anos, após uma peregrinação a Lourdes, matriculou-se no seminário do Fundão, que irá frequentar durante seis anos. Essa vivência será o tema central de Manhã Submersa.

Em 1936, deixa o seminário e acaba o Curso Liceal no liceu da Guarda. Logo após, ingressa na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, continuando a dedicar-se à poesia, nunca tornada pública, salvo alguns versos memoráveis presentes nos seus diários Conta-Corrente. Em 1939, escreve o seu primeiro romance intitulado O Caminho Fica Longe. Entretanto, em 1940, licencia-se em Filologia Clássica e, em 1942, conclui o estágio no Liceu D. João III. Vergílio inicia a sua carreira profissional como docente em Faro, onde publica Teria Camões lido Platão?. Em 1944, passa a ensinar no liceu de Bragança, publica Onde Tudo Foi Morrendo (escrito durante as suas férias em Melo) e, em 1946, no mesmo ano em que se casou com Regina Kasprzykowsky (professora polaca refugiada em Portugal, com quem Vergílio terá um filho e ficará até à sua morte), publica Vagão J. Após uma passagem pelo liceu de Évora, fixar-se-á em Lisboa, lecionando o resto da sua carreira no Liceu Camões.

A 3 de setembro de 1979, foi agraciado com o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada e, em 1980, o realizador Lauro António adapta para o cinema Manhã Submersa, com Vergílio Ferreira interpretando um dos papéis principais, o reitor do seminário, o que significa que acabaria por contracenar com grandes nomes do cinema português (Eunice Muñoz, Canto e Castro, Jacinto Ramos e Carlos Wallenstein).

A 4 de fevereiro de 1989, foi agraciado com o grau de Grã-Cruz da Ordem do Mérito. Na sequência, em 1992, foi eleito para a Academia das Ciências de Lisboa e, no mesmo ano, recebeu o Prémio Camões, o mais importante prémio literário dos países adeptos da língua portuguesa.

Vergílio faleceu em 1 de março de 1996, com oitenta anos, em sua casa, na freguesia de Alvalade. O funeral foi realizado no cemitério da sua terra natal. Uma curiosidade é que pediu para que o seu caixão ficasse virado para a Serra da Estrela, no entanto, essa solicitação não fora exatamente concretizada.

Nos tempos atuais, continua associado à literatura através da atribuição do Prémio Vergílio Ferreira. Além disso, há uma biblioteca com o seu nome em Gouveia, bem como uma escola em Lisboa, a Escola Secundária de Vergílio Ferreira.

Algo importante é que a sua vasta obra, dividida em ficção (romance e conto), ensaio e diário, costuma ser agrupada em dois períodos literários: o Neorrealismo e o Existencialismo. Ademais, considera-se que Mudança é a obra que marca a transição entre esses dois períodos.


Obras de Vergílio Ferreira


Ficção:

  • A Curva de Uma Vida (1938)

  • O Caminho Fica Longe (1943)

  • Onde Tudo Foi Morrendo (1944)

  • Vagão J (1946)

  • Promessa (1947)

  • Mudança (1949)

  • A Face Sangrenta (1953)

  • Manhã Submersa (1954)

  • Aparição (1959)

  • Cântico Final (1960)

  • Estrela Polar (1962)

  • Apelo da Noite (1963)

  • Alegria Breve (1965)

  • Nítido Nulo (1971)

  • Apenas Homens (1972)

  • Rápida, a Sombra (1974)

  • Contos (1976)

  • Signo Sinal (1979)

  • Para Sempre (1983)

  • Uma Esplanada Sobre o Mar (1986)

  • Até ao Fim (1987)

  • Em Nome da Terra (1990)

  • Na Tua Face (1993)

  • Do Impossível Repouso (1995)

  • Cartas a Sandra (1996)


Ensaios:

  • Sobre o Humorismo de Eça de Queirós (1943)

  • Do Mundo Original (1957)

  • Carta ao Futuro (1958)

  • Da Fenomenologia a Sartre (1963)

  • Interrogação ao Destino, Malraux (1963)

  • Espaço do Invisível I (1965)

  • Invocação ao Meu Corpo (1969)

  • Espaço do Invisível II (1976)

  • Espaço do Invisível III (1977)

  • Um Escritor Apresenta-se (1981)

  • Espaço do Invisível IV (1987)

  • Arte Tempo (1988)

  • Espaço do Invisível V (1998)


Diários:

  • Conta-Corrente I (1980)

  • Conta-Corrente II (1981)

  • Conta-Corrente III (1983)

  • Conta-Corrente IV (1986)

  • Conta-Corrente V (1987)

  • Pensar (1992)

  • Conta-Corrente - Nova Série I (1993)

  • Conta-Corrente - Nova Série II (1993)

  • Conta-Corrente - Nova Série III (1994)

  • Conta-Corrente - Nova Série IV (1994)

  • Escrever (2001)

  • Diário Inédito (2010)



Referências


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