Biobibliografia de Camilo Castelo Branco
- 19 de mar. de 2022
- 4 min de leitura
Atualizado: 9 de mai. de 2022

Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco foi um escritor, romancista, cronista, crítico, dramaturgo, historiador, poeta e tradutor de origem portuguesa.
Camilo Castelo Branco é um dos maiores e mais notáveis autores da Literatura Portuguesa e a sua obra mais conhecida é Amor de Perdição. Além disso, foi um dos primeiros escritores portugueses a viver exclusivamente do que escrevia e, apesar de escrever por solicitação, sujeitando-se assim à moda, conseguiu manter uma escrita muito original. Um ponto interessante é que a sua vida atribulada acabou por lhe servir de inspiração para as suas novelas.
Nasceu em 16 de março de 1825, numa casa da Rua da Rosa, na freguesia dos Mártires, em Lisboa. Oriundo de família da aristocracia, era filho de Manuel Joaquim Botelho Castelo Branco e de Jacinta Rosa do Espírito Santo Ferreira. Com dois anos, ficará órfão de mãe e, com nove, de pai, gerando assim um carácter de eterna insatisfação com a vida. Em 1835, passou a viver com uma tia paterna em Vila Real e, em 1839, viveu com a sua irmã mais velha, Carolina Rita Botelho Castelo Branco, em Vilarinho de Samardã, onde recebeu educação irregular ministrada por dois padres de província.
Na adolescência, teve contato com a vida ao ar livre transmontana e formou-se lendo os clássicos portugueses e latinos, para além da literatura eclesiástica.
Com apenas 16 anos (em 1841), casou-se com Joaquina Pereira de França, de 15 anos, e acabou por se instalar em Friúme. Desse relacionamento nasce uma filha, porém, o casamento precoce parece ser fruto de uma simples paixão juvenil, logo não durará muito. No ano seguinte, prepara-se para ingressar na universidade, indo estudar com o Padre Manuel da Lixa, em Granja Velha.
O seu caráter instável, inquieto e irreverente leva-o a diversos casos amorosos tumultuados, entre eles, com Patrícia Emília do Carmo de Barros. Os dois fugiram para Coimbra e acabaram por ser presos na Cadeia da Relação do Porto. Ao serem libertados, mantiveram a relação e dela nasceu Bernardina Amélia, entretanto, poucos anos depois, foge para a casa da irmã, em Covas do Douro, ou seja, abandona Patrícia e ela e a sua filha acabarão por falecer. No ano seguinte, morre a sua esposa legítima, Jacinta, e, posteriormente, a filha do casal.
Ainda a viver com Patrícia, Camilo publicou no jornal O Nacional correspondências contra José Cabral Teixeira de Morais, Governador Civil de Vila Real, com quem colaborava como amanuense. Esse posto, segundo alguns biógrafos, surgiu a convite devido à sua participação na Revolta da Maria da Fonte, em 1846, durante a qual lutou ao lado da guerrilha miguelista. Devido a essa desavença, é espancado pelo capanga do Governador Civil, mas, as suas audaciosas correspondências jornalísticas ainda lhe valeram, em 1848, nova agressão sob a responsabilidade do Batalhão de Caçadores 3.
Em 1843, ingressou na Escola de Medicina no Porto, mas acabou por se entregar à boémia e não conseguiu concluir o curso. Em 1845, publicou os seus primeiros trabalhos literários e, em 1846, colaborará com o jornal O Povo.
Em 1850, passou por uma crise espiritual e ingressou no curso de Teologia do Seminário Episcopal do Porto, pretendendo seguir a vida religiosa, porém, três anos depois, abandonou o curso. No mesmo ano, participou da polémica entre Alexandre Herculano e o clero, publicando o opúsculo O Clero e o Sr. Alexandre Herculano, defesa da qual Herculano não se mostrou satisfeito. Ademais, de 1849 a 1851, consolidou a sua atividade jornalística com o teatro e estreou-se no romance.
Camilo fundou vários jornais e, em 1855, tornou-se o redator principal do jornal O Porto e a Carta. Nessa altura, o seu nome começava a soar nos meios jornalísticos e literários do Porto e de Lisboa, mas, foi a partir de 1856, que atingiu a maturidade literária. Foi ainda nesse ano que iniciou o seu relacionamento amoroso com Ana Plácido, casada desde 1850 com o comerciante Manuel Pinheiro Alves. Em 1859, Ana abandonou o marido e foi viver com Camilo, todavia, em 1860, Manuel desencadeou o processo de adultério. Em junho, a mulher foi presa e, no dia 1 de outubro, Camilo entregou-se na Cadeia da Relação do Porto. Em 1861, o rei D. Pedro V visitou-o na prisão e, no dia 16 de outubro, foram absolvidos.
Entre 1862 e 1863, a sua atividade literária foi muito intensa, publicando onze novelas e romances e atingindo assim uma notoriedade inigualável.
Em 1864, o casal fixou-se na quinta de S. Miguel de Seide (propriedade de Manuel Pinheiro Alves, que faleceu em 1863), foi aí que escreveu a peça de teatro O Condenado e inúmeros poemas, crónicas, artigos de opinião e traduções. O casal possuía bastantes problemas financeiros, no entanto, ainda tiveram o terceiro filho.
Quatro anos depois, dirigiu a Gazeta Literária do Porto e, em 1877, o seu primeiro filho, Manuel Plácido, morre.
A partir de 1881, a doença nos olhos que o afetava agravou-se. Em 18 de junho de 1885, recebeu o título de Visconde de Correia Botelho concedido pelo rei de Portugal, D. Luís I. Em 1889, no seu aniversário, foi lhe prestado inúmeras homenagens de escritores, artistas e estudantes, promovida por João de Deus. No dia 1 de junho de 1890, com apenas 65 anos, já cego e impossibilitado de escrever, Camilo suicidou-se com um tiro de revólver.
A sua casa em Seide é hoje o museu do escritor e na sua vizinhança foram inauguradas, em 1 de junho de 2005, as novas instalações do Centro de Estudos Camilianos.
Obras de Camilo Castelo Branco
Novelas Passionais:
Onde Está a Felicidade? (1856)
Um Homem de Brios (1856)
Estrelas Funestas (1862)
Amor de Perdição (1862)
Estrelas Propícias (1863)
Amor de Salvação (1864)
Novelas de Aventuras:
Os Mistérios de Lisboa (1854)
Livro Negro do Padre Diniz (1855)
O Esqueleto (1865)
O Demônio do Ouro (1874)
Novelas Históricas:
O Santo da Montanha (1866)
O Judeu (1866)
O Senhor do Paço de Minães (1868)
Romances:
Anátema (1851)
A Corja (1880)
A Brasileira de Prazins (1882)
Vulcões de Lama (1886)
Narrativas Satíricas:
O Que Fazem as Mulheres (1858)
A Queda Dum Anjo (1866)
Poesia:
Os Pundonores Desagravados (1845)
Nostalgias (1888)
Nas Trevas (1890)
Historiografia:
Perfil do Marquês do Pombal (1882)
Memórias:
Memórias do Cárcere (1862)
Referências
https://www.portaldaliteratura.com/assets/files_autores/171.jpg - Consultado em 16/02/2022.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Camilo_Castelo_Branco - Consultado em 14/03/2022.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Visconde_de_Correia_Botelho - Consultado em 14/03/2022.
https://www.ebiografia.com/camilo_castelo_branco/ - Consultado em 18/03/2022.
https://www.infopedia.pt/$camilo-castelo-branco - Consultado em 18/03/2022.
https://sotaquesbrasilportugal.wordpress.com/2012/03/20/camilo-castelo-branco-biografia-de-escrita-e-paixao/ - Consultado em 19/03/2022.


Comentários