Biobibliografia de Alexandre Herculano
- 14 de mar. de 2022
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Atualizado: 9 de mai. de 2022

Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo nasceu em 28 de março de 1810, no Pátio do Gil, na Rua de São Bento, em Lisboa. Foi um importante escritor, historiador, jornalista e poeta da era do Romantismo.
A sua infância e adolescência não poderiam deixar de ser marcadas pelos dramáticos acontecimentos da sua época, sendo eles as invasões francesas, o domínio inglês e o surgimento das ideias liberais francesas, que levaram à Revolução de 1820. Até aos 15 anos, frequentou o Colégio dos Padres Oratorianos de S. Filipe de Néry, onde recebeu uma formação de tendência clássica, aberta às novas ideias científicas. O seu pai ficou incapaz de fornecer os sustentos da família devido à cegueira ganhada em 1827, isto acabou impedindo Alexandre Herculano de prosseguir os estudos universitários. No entanto, conseguiu adquirir uma sólida formação literária que passou pelo estudo de inglês, francês, italiano e alemão.
Chegou a estudar Latim, Lógica e Retórica no Palácio das Necessidades e, mais tarde, estudou Matemática na Academia da Marinha Real, com a intenção de seguir uma carreira comercial.
Em termos políticos, Herculano identificava-se com o Partido Cartista e não aceitava as ideias socialistas, democrático-republicanas e iberistas.
Com apenas 21 anos, participou na revolta de 21 de Agosto de 1831 do Regimento n.° 4 de Infantaria de Lisboa contra o governo de D. Miguel I, o que obrigou-o, após o fracasso daquela revolta militar, a refugiar-se num navio francês ancorado no Tejo e, posteriormente, na Inglaterra e na França, onde residiu até à saída dos navios da expedição que iam juntar-se ao exército liberal de D. Pedro IV, na Ilha Terceira, nos Açores. Alistado como soldado no Regimento dos Voluntários da Rainha, era um dos 7.500 "Bravos do Mindelo" que integraram a expedição militar, que desembarcou, em 8 de julho de 1832, na praia do Mindelo, a fim de cercar e tomar a cidade do Porto. Além disso, participou em ações de elevado risco e mérito militar.
Iniciou-se na maçonaria, possivelmente durante seu exílio na Inglaterra ou antes, mas logo a abandonou.
Nomeado por D. Pedro IV como segundo bibliotecário da Biblioteca do Porto, aí permaneceu até ser convidado para dirigir a revista O Panorama (1837-1868), de Lisboa, revista de caráter artístico e científico pertencente à Sociedade Propagadora dos Conhecimentos Úteis, patrocinada pela rainha D. Maria II e da qual Herculano foi redator principal de 1837 a 1839. Em 1842, retomou a sua função como redator principal e publicou Eurico o Presbítero, o maior romance histórico de Portugal, escrito no século XIX. Também colaborou no Jornal da Sociedade dos Amigos das Letras (1836) e em diversas revistas, sendo elas: Revista Universal Lisbonense (1841-1859), Revista do Conservatório Real de Lisboa (1842), A Illustração Luso-Brasileira (1856-1859), Renascença (1878-1879), A Semana de Lisboa (1893-1895), A Leitura (1894-1896) e Azulejos (1907-1909).
Ao escrever uma das suas obras mais notáveis História de Portugal, cujo primeiro volume foi publicado em 1846 e que introduz uma historiografia científica em Portugal, não podia deixar de levantar enorme polémica com o clero, que o atacará por não ter admitido como verdade histórica o célebre Milagre de Ourique (segundo o qual Cristo aparecera ao rei D. Afonso Henriques naquela batalha). Herculano chega a ir a terreiro em defesa da verdade científica da sua obra, desferindo golpes contra o clero ultramontano, nos opúsculos Eu e o Clero e Solemnia Verba. O prestígio que a História de Portugal alcançou levou a Academia das Ciências de Lisboa a nomear Herculano seu sócio efetivo (1852) e a encarregá-lo do projeto de recolha dos Portugaliae Monumenta Historica. Herculano embarcou nesse projeto em 1853 e 1854 e iniciara a publicação seletiva daquelas fontes a partir de 1856. Devido à sua morte, esse trabalho ficou incompleto mas, no entanto, foi retomado em 1980 sob a direção de José Mattoso.
Herculano permanecerá fiel aos seus ideais políticos e à Carta Constitucional, que o impediu de aderir ao Setembrismo. Apesar de ter sido deputado nas Cortes e precetor do rei D. Pedro V, recusou fazer parte do primeiro Governo da Regeneração, chefiado pelo Duque de Saldanha. Recusou também honrarias e condecorações e preferiu retirar-se para um exílio. Ainda desempenhou o cargo de Presidente da Câmara de Belém (1854 a 1855) e, em 1856, foi um dos fundadores do Partido Regenerador Histórico em oposição ao Partido Regenerador de Fontes Pereira de Melo e Rodrigo da Fonseca Magalhães.
No ano seguinte, seguindo o mesmo propósito anticlerical, ataca fortemente a Concordata com a Santa Sé e, em 1858, preside um comício anticlerical.
De 1860 a 1865, participou na redação do primeiro Código Civil Português, tendo proposto a introdução do casamento civil a par do religioso, o que deu origem a uma nova polémica com o clero.
Quando se começou a fazer muito eco na imprensa e política portuguesa para promover o iberismo, em 1861, é criado a Comissão Central 1.º de Dezembro de 1640 contra essa vontade.
Em 1867, Alexandre Herculano casa-se com Mariana Hermínia de Meira e retira-se definitivamente para a sua quinta de Vale de Lobos (Azoia de Baixo, Santarém) para se dedicar à agricultura e a uma vida de recolhimento espiritual, além de exercer um autêntico magistério moral sobre o país.
Após a segunda viagem do imperador do Brasil a Portugal, em 1867, Herculano quis retribuir, em Lisboa, a visita que o monarca lhe fizera em Vale de Lobos, mas, devido à sua débil saúde, contraiu uma pneumonia de que viria a falecer na sua residência, em 13 de setembro de 1877. Antes da sua morte, o imperador brasileiro viu em Alexandre um homem digno de receber a Imperial Ordem da Rosa, ao qual Herculano recusou. O mesmo acabou falecendo sem descendentes.
Como liberal que era, no século XVI, Alexandre Herculano teve como preocupação maior condenar o absolutismo e a intolerância da coroa para denunciar o perigo do retorno a um centralismo da monarquia em Portugal.
Principais Obras de Alexandre Herculano
Poesia:
A Voz do Profeta (1836)
A Harpa do Crente (1838)
Poesias (1850)
Teatro:
O Fronteiro de África ou Três Noites Aziagas (1838)
Os Infantes em Ceuta (1842)
Romance:
O Pároco de Aldeia (1851)
O Galego: Vida, Ditos e Feitos de Lázaro Tomé (?)
Romance Histórico:
O Bobo (1843)
Eurico, o Presbítero (1844)
O Monge de Cister (1848)
O Monasticon (1848)
Lendas e Narrativas (1851)
Referências
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/09/Retrato_de_Alexandre_Herculano_%28Museu_Nacional_Gr%C3%A3o_Vasco%29.png - Consultado em 26/02/2022.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Alexandre_Herculano - Consultado em 26/02/2022.
https://www.estudopratico.com.br/biografia-e-obras-de-alexandre-herculano/ - Consultado em 26/02/2022.


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